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Criando mulheres de 12 anos

Cada dia mais pequenas brasileiras deixam de ser meninas e se tornam mulheres. No passado isso era fácil de explicar, pois casava-se cedo. Hoje é um tanto diferente, ainda muito novas as garotas pulam a etapa do casamento e engravidam. Acredito que não existe apenas um culpado para isso, mas hoje há um grande vilão em nossas casas.

É fácil dizer que a culpa da gravidez na adolescência é dos pais da garota, da escola que educa mal, ou qualquer outro que possa ser apontado como errado, mas o que realmente acredito é que o grande vilão por trás disso é a publicidade.

Segundo dados do Instituto Alana, as crianças brasileiras influenciam seus pais em 80% das decisões de compras da família. O que já é ruim, pode ser ainda pior, já que nunca o universo infantil mudou tanto por causa do marketing.
Está ocorrendo um processo de “adultização” da criança, e nós estamos sendo coniventes a isso. Peças publicitárias de produtos que deveriam ser de consumo adulto são veiculadas no intervalo do desenho animado, cheias de animações coloridas, de uma forma que se aproxime da criança.
Cada vez mais vemos crianças maquiadas, crianças usam roupas com características adultas, a boneca não é mais um bebê, hoje é uma mulher, uma mulher que tem traços totalmente adultos, tem relacionamento com um “boneco fortão”, vai ao shopping com as amigas, ao salão de beleza, e essas ideias são vendidas às crianças.

Vivemos em uma sociedade de crianças consumistas, e não é porque se espelham em seus pais, mas pela ausência deles. Pais que cada vez mais trabalham e deixam seus filhos nas mãos dos publicitários sem saber, e a TV é o seu principal meio, as crianças ficam a mercê de uma publicidade que quer apenas moldá-las, fazer novos consumidores, fiéis aos seus produtos, suas marcas.

Também pelo fator publicitário muitas crianças e pais são enganados na hora de comer. Que criança da classe C nunca foi comer um Mc Lanche Feliz apenas pelo brinquedo? Os produtos pouco saudáveis e baratos de se fazer atraem os pequenos por terem um brinquedo, brinquedo esse que será descartado pela criança em pouco tempo.

É um erro multilateral, e o governo tem sua parcela de culpa aí. Enquanto em outros países a publicidade infantil tem grandes restrições, algumas vezes nem existe, no Brasil não há uma legislação sobre o que pode e não pode ser veiculado ao público infantil.
Essa é mais uma série de erros que deve ter suas soluções cada vez mais discutidas pela sociedade em conjunto com nossos representantes, caso contrário continuaremos criando pequenos consumistas, consumidores de produtos obsoletos, pequenas mulheres, mães, que têm sua infância e adolescência destruída.

Este texto teve sua argumentação baseada nos dados presentes no documentário “Criança, a alma do negócio” do Instituto Alana. O documentário está disponível para download no site do instituto e pode ser assistido online. 

http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40

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