Belo Monte e as populações indígena e de ribeirinhos são nosso patrimônio!

Circula no Facebook a imagem do Cacique Raoni, opositor a Belo Monte, em uma campanha de conscientização contra a decisão do governo de construir a usina.
Vamos destacar uma discussão minha e de um amigo nos comentários da campanha.

Victor –  Prevejo milhares de pessoas pseudo-preocupadas com os índios falando mal do Brasil aqui. A verdade é que nenhum dos moralistas que postar algo aqui, se preocupa de verdade com isso. Muito menos vai fazer algo a respeito. Assim como ninguém sabe de tudo que envolve uma decisão dessas. Das negociações, nem de nada. Enfim, mas vamos ser haters:
Que vergonha, Brasil!

Henrique – Isso vai muito além da população indígena em si, isso envolve nosso patrimônio. A Amazônia, a biodiversidade, a cultura indígena são nosso patrimônio. Assim como nosso governo aprovou o desmatamento de forma descriminalizada, nosso governopressionou o botão de detonação desse nosso já tão degradado patrimônio. Esse nosso governo que deixa ladrões sugarem o dinheiro público, dinheiro que poderia e deveria estar sendo investido na melhoria da vida dos menos favorecidos, é o nosso governo, que recebe o nosso apoio e que, enquanto não fizermos nossa voz ser ouvida, continuará sendo esse governo que senta e rola e ri das nossas caras.

Victor – Toda a questão de dinheiro público sendo usado de forma indevida, roubos e etc, não tem nada a ver com os indígenas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa. Não misturemos as coisas. A corrupção é deplorável, sim. Mas a questão real, é que o Brasil precisa começar a investir em outras fontes energéticas, menos agressivas ao meio ambiente. Mas esse processo não é rápido, e nesse momento, não é importante pros nossos políticos. Eles não vão colher os frutos negativos da destruição da natureza. Esse ponto sim, é altamente questionável. Agora, sobre índios e corrupção: Isso não tem nada a ver com o foco dessa notícia.

Henrique – Tanto o dinheiro público quanto a população indígena são nosso patrimônio, financeiro e cultural, e devem ser preservados, por isso tem tudo a ver um com o outro nesse caso.
Pesquisas mostram que as fontes renováveis têm grande potencial no Brasil, o meio ambiente é, mais uma vez, nosso patrimônio, o que volta ao início da discussão.
A culpa do desgaste do nosso patrimônio é da população que se acomoda e deixa nossos governantes pilantras fazerem o que acharem melhor de todos os nossos bens, sejam financeiros, culturais ou ambientais, são nossos e estamos deixando isso tudo escapar.

Victor – Com certeza. Não tirei sua razão, em nenhum momento, Henrique! Minha crítica é em relação ao moralismo desacompanhado de qualquer ação pra pô-lo em prática que sempre surge nesses tópicos. E mais, sobre a desinformação também. Ninguém aqui sabe como se desenvolveram as negociações com os índios, o que foi acordado, o que foi oferecido, e etc. O governo não chegou simplesmente e mandou os índios pro inferno.

Henrique –  Belo Monte poderia ser feita de forma alternativa, não precisava ser assim, mandando os índios pro inferno ou não, o governo fez o que fez. Não acho válida nenhuma negociação para tirar alguém de sua terra, ainda mais se esse alguém vive da sua terra.

Victor – ‎”Sua” terra. As terras, de fato, não era deles, oras. Na cidade, se queremos um terreno, temos que pagar por eles. Sinto muito se eles viviam lá há anos, mas não pagaram por aquela terra. Isso é o mundo globalizado. Não é só Brasil.

Henrique – Que triste forma de pensar. Heis que se faz mais uma vez, os portugueses foram embora, o espírito “colonizador” ficou. Acho melhor parar o debate por aqui.

Victor – São formas divergentes de pensar. Uma utópica, uma realista. Melhor parar por aqui.

Reitero o meu último comentário, que triste forma de pensar a sociedade. E acrescento, há uma grande diferença entre realismo e ceticismo total. Não vejo os direitos indígenas como uma utopia, vejo-os como um bem que a população deveria estar protegendo. São nessas horas que vemos o câncer que é a visão capitalista.

Fico na esperança de que existam mais pessoas que pensem dessa forma do que pessoas totalmente céticas.

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